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. Relógio Calçada Portuguesa

Olhar o chão em Portugal é ver verdadeiras obras de arte.

O calcário branco, e o basalto são as matérias eleitas para desenhar a história e cultura deste país.

 

"Lisboetas, turistas e pendulares calcam apressadamente ondas do Mar Largo, caravelas, caranguejos, golfinhos, sereias, estrelas-do-mar, rosetas, lagartos fantásticos, florões e tapetes dos mais variegados formatos; obras dos nossos calceteiros-artistas quais poetas que inundaram com os seus mares de pedra as praças e artérias principais da nossa cidade com a sua dura poesia. (...)

O velho provérbio «santos de casa não fazem milagres» poder-se-à também aplicar à divulgação da arte existente na calçada portuguesa; em 22 de Setembro de 1945 a revista Século Ilustrado publica um artigo de Judith Maggioly intitulado «Repare onde põe os seus pés» aconselhando «…baixe um pouco os olhos e repare que está pisando estrelas, peixes, flores, liras, pássaros…» Após este primeiro convite público muitos outros jornalistas e fotógrafos nacionais e estrangeiros se surpreenderam com a nossa calçada e desde essa época revistas e jornais das mais variadas partes do mundo escrevem, fotografam e encantam-se com esta arte tipicamente lisboeta.(...)

 Poderemos sintetizar desta maneira a arte do calcetamento: Nasce da abstracção da cor recorrendo apenas ao contraste. Sobrepõe o rigor do ornato ao sugestivo do desenho. Tende para a vasta dimensão em vez de se cingir ao motivo restrito. Possui um sentido estético e utilitário que nunca satura os olhos porque surgem sempre inéditos conforme o ângulo de que se observem. Morre tardiamente: a sua morte prematura deve-se somente à incúria de quem deveria zelar pelo seu Património. por Cremilde De La Rosa Raposo Colaço Barreiros in http://fozibercalcada1.no.sapo.pt

 

 

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